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Friday, January 20, 2012
solitude
gostava de poder selar as minhas lágrimas numa garrafa, para te poder mostrar.
e posso, mas faltam todas as que já se perderam...
as que se estão a perder neste momento. e de que serviria?
quero tanto dizer-te que te amo, quero tanto dizer-te que sei agora,
que passei os anos à tua procura, sim, à tua procura, sempre.
eu não queria nem nunca quis mais ninguém, e a ausência das tuas
palavras era-me tão difícil de entender... quando tu me dizias,
eu sei agora que tu me dizias, e que me disseste antes de eu partir...
eu sei agora porque não é das palavras que me recordo
não são as palavras que me fazem falta
que se fodam as palavras
dá-me o teu corpo,
os teus lábios,
as tuas mãos,
o teu ombro quando vemos filmes
e o teu peito para adormecer
ao lado das amoreiras...

espera por mim. por favor.

eu quero amar-te como não soube.
Posted at 07:43 pm by border
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Monday, November 21, 2011
没有题目
queria fazer um post em chinês, mas estou a ter problemas, por isso passei-o para aqui: http://sangdelade.blogspot.com/ não creio que, caso queria escrever alguma coisa, mesmo em português, volte aqui.
Posted at 05:51 pm by border
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Monday, November 14, 2011
423
tenho tido sonhos recorrentes acerca da realidade do regresso. e muito medo de adormecer. é como se por agora é que o meu corpo estivesse adormecido, na minha cama em Santarém, embrulhado em braços até ao nariz, e eu estivesse à espera que ele morresse, para poder ocupar outra vida no regresso. como se isso pudesse acontecer.
Posted at 07:12 pm by border
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Monday, October 10, 2011
Jorge
já dobrei as meias, que secaram de ontem para hoje
aqueço a chaleira, faço café
(deixei de beber café expresso)
e, enquanto espero que ele arrefeça um pouco
ouço repetidamente a nossa música
na esperança que surjas,
vindo destas lágrimas
que te envio para que
possas navegar.

a poluição é muita.
compreendo que não as
consigas ver.


Posted at 07:41 am by border
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Tuesday, August 23, 2011
caixinha prateada

O meu mundo gira dentro de uma caixinha prateada...nessa caixinha estão os sonhos, as promessas, os sentimentos, a esperança e as pessoas. Mas as pessoas não são só pessoas, são os amigos de sempre e para sempre, aqueles em que não temos frio quando estamos em sua companhia. São aqueles amigos que travam a onda de lama da falta de amor do mundo, são aqueles que nos dão esperança da realidade de amar o outro. Quando estou com eles sinto-me em casa, sinto-me dentro do ventre da mãe protectora, que ama incondicionalmente seu filho, sem motivo ou credo. É por isso que peço aos deuses do céu, do mar e da terra que não afastem de mim quem eu amo…tenho muitos sonhos na vida, mas dos mais importantes é poder ser velhinha e estar junto das minhas libelinhas, minhas acompanhantes e amigas de toda uma vida. Aqui fumaremos cigarros tossindo um catarro já antigo e beberemos chá de maçã e canela ou então moscatel de Setúbal. Sentadas as três moças velhas, nos cadeirões grandes que balançam, tapadas com mantas que cobrem as pernas cansadas. Aqui iremos rir em conversas de tempos de liceu. Aí sim a minha caixinha prateada terá sentido, pois esse momento significará que amei e fui amada….

Posted at 05:40 am by mancha
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Thursday, August 18, 2011
J
talvez o amor seja isto
este aborrecimento
as tardes que se repetem
os silêncios prolongados
as saudades que já não se sentem
este estar acostumado a um outro
que nos destrói
e renasce.

eu não consigo deixar de te amar, independentemente de tudo isto
que parece pouco, mas não é.
e das duas uma
ou eu estou disposta a morrer, lenta e dolorosamente, por ti
ou tu vais acabar por me matar só porque todos os hábitos
se sentem como impossíveis de abandonar.
Posted at 03:29 am by border
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Monday, June 27, 2011
我想爱
a minha casa ardeu, recentemente. sem óbitos, porque tudo aconteceu
no momento em que fomos passear, após o jantar. a noite estava quente.
no entanto, nós não estávamos.
a cozinha foi a única divisão que sobreviveu, e mantivemo-la para que pudéssemos realizar espectáculos, performances. lembro-me de numa noite ter sido uma recriação da lady in the radiator. não me recordo de muito mais. sei que não chorei.
a partir de 25 de agosto deixarei o meu nome para trás, e passarei a chamar-me, obrigatoriamente, sangdela (桑德拉).
桑 (sang) significa amoreira. tenho flores que se comparam a estrelas, e frutos de sangue apaixonado.
德 (de) significa virtude, bondade,ética, moral, carácter.
拉 (la), na verdade, é um carácter que não me apraz. é comummente utilizado para designar o acto de puxar, embora tenha mais significados.

talvez esteja na altura de me recriar. deixar a Sandra e as palavras da Sandra, torná-las as palavras da Sangdela. nas palavras do sangue dela.
por fim, construir, não reconstruir, porque isso implicaria o renascimento de, um lar.
a minha casa ardeu mas eu não sei se alguma vez ela existiu. ou se parou de arder.
Posted at 03:03 am by border
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Sunday, April 10, 2011
porque no Brasil...
aproxima-se um aniversário e eu desejo
não regressar, não celebrar, a minha idade
já me incomoda. sou um artefacto muito muito
antigo?
não diria antigo, diria mesmo velho
sou um artefacto muito muito velho
nunca quis ter filhos, abandonei a
minha família e não voltei a dar notícias,
perdi o contacto com os poucos amigos que
me restavam,
restar
o que me resta agora são as plantas
(sim, já consigo
tomar conta de plantas)
a minha avó costumava dizer que
se falares com as plantas elas entendem
e respondem
e eu de vez em quando leio poemas para as plantas
como fazia com ela no Jardim Botânico.
elas vão ficando mais bonitas, mais vivas.
resta-me o chá, que sobra sempre...
sobrar
há muitos anos deixei o meu amor sobrar
agora não sei onde estão as sobras
ou se ainda servem ou podem servir
algum propósito
sobra-me o tempo, restam-me as rugas
resta-me queijo, sobram-me os lugares na mesa
sobra-me a melancolia, restam-me as plantas
(essas que, pelo menos, entendem.)
Posted at 10:42 pm by border
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Tuesday, March 15, 2011
nome
na contemporaneidade
ama-se muito
pouco.

Posted at 09:29 pm by border
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Friday, January 21, 2011
I say fever
o rapaz a quem eu pago o almoço todos os dias (embora julgue que ele não fuma, não sei) veio pedir-me mortalhas numa noite destas, à saída da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, porque

"não és tu que fumas tabaco de enrolar?"

foi uma questão interessante.
hoje em dia há um número infindável de pessoas, e particularmente de estudantes, que fumam tabaco de enrolar. a rapariga que se encontrava comigo (e que está sempre comigo, na realidade) também o faz.
é sempre um prazer saber que sou a tal.
nem que seja a tal que fuma tabaco de enrolar.

eu também costumava ter muitos tais, pelas razões mais absurdas. havia crianças pelo meu corpo inteiro a fugir com coisas atrás das costas, nos bolsos, dentro dos chapéus. escavavam, mais tarde, quando ninguém estava a ver, locais com as mãos
para guardar todas as observações.

há quanto tempo não cresceram

(as crianças)


Posted at 07:30 am by border
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