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A Caixa
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solitude gostava de poder selar as minhas lágrimas numa garrafa, para te poder mostrar.
e posso, mas faltam todas as que já se perderam... as que se estão a perder neste momento. e de que serviria? quero tanto dizer-te que te amo, quero tanto dizer-te que sei agora, que passei os anos à tua procura, sim, à tua procura, sempre. eu não queria nem nunca quis mais ninguém, e a ausência das tuas palavras era-me tão difícil de entender... quando tu me dizias, eu sei agora que tu me dizias, e que me disseste antes de eu partir... eu sei agora porque não é das palavras que me recordo não são as palavras que me fazem falta que se fodam as palavras dá-me o teu corpo, os teus lábios, as tuas mãos, o teu ombro quando vemos filmes e o teu peito para adormecer ao lado das amoreiras... espera por mim. por favor. eu quero amar-te como não soube.
没有题目 queria fazer um post em chinês, mas estou a ter problemas, por isso passei-o para aqui: http://sangdelade.blogspot.com/ não creio que, caso queria escrever alguma coisa, mesmo em português, volte aqui.
423 tenho tido sonhos recorrentes acerca da realidade
do regresso.
e muito medo de adormecer.
é como se por agora é que o meu corpo estivesse adormecido, na minha cama em Santarém, embrulhado em braços até ao nariz, e eu estivesse à espera que ele morresse, para poder ocupar outra vida no regresso.
como se isso pudesse acontecer.
Jorge
já dobrei as meias, que secaram de ontem para hoje
aqueço a chaleira, faço café (deixei de beber café expresso) e, enquanto espero que ele arrefeça um pouco ouço repetidamente a nossa música na esperança que surjas, vindo destas lágrimas que te envio para que possas navegar. a poluição é muita. compreendo que não as consigas ver.
caixinha prateada O meu mundo gira dentro de uma caixinha prateada...nessa caixinha estão os sonhos, as promessas, os sentimentos, a esperança e as pessoas. Mas as pessoas não são só pessoas, são os amigos de sempre e para sempre, aqueles em que não temos frio quando estamos em sua companhia. São aqueles amigos que travam a onda de lama da falta de amor do mundo, são aqueles que nos dão esperança da realidade de amar o outro. Quando estou com eles sinto-me em casa, sinto-me dentro do ventre da mãe protectora, que ama incondicionalmente seu filho, sem motivo ou credo. É por isso que peço aos deuses do céu, do mar e da terra que não afastem de mim quem eu amo…tenho muitos sonhos na vida, mas dos mais importantes é poder ser velhinha e estar junto das minhas libelinhas, minhas acompanhantes e amigas de toda uma vida. Aqui fumaremos cigarros tossindo um catarro já antigo e beberemos chá de maçã e canela ou então moscatel de Setúbal. Sentadas as três moças velhas, nos cadeirões grandes que balançam, tapadas com mantas que cobrem as pernas cansadas. Aqui iremos rir em conversas de tempos de liceu. Aí sim a minha caixinha prateada terá sentido, pois esse momento significará que amei e fui amada….
J talvez o amor seja isto
este aborrecimento as tardes que se repetem os silêncios prolongados as saudades que já não se sentem este estar acostumado a um outro que nos destrói e renasce. eu não consigo deixar de te amar, independentemente de tudo isto que parece pouco, mas não é. e das duas uma ou eu estou disposta a morrer, lenta e dolorosamente, por ti ou tu vais acabar por me matar só porque todos os hábitos se sentem como impossíveis de abandonar.
我想爱 a minha casa ardeu, recentemente. sem óbitos, porque tudo aconteceu
no momento em que fomos passear, após o jantar. a noite estava quente. no entanto, nós não estávamos. a cozinha foi a única divisão que sobreviveu, e mantivemo-la para que pudéssemos realizar espectáculos, performances. lembro-me de numa noite ter sido uma recriação da lady in the radiator. não me recordo de muito mais. sei que não chorei. a partir de 25 de agosto deixarei o meu nome para trás, e passarei a chamar-me, obrigatoriamente, sangdela (桑德拉). 桑 (sang) significa amoreira. tenho flores que se comparam a estrelas, e frutos de sangue apaixonado. 德 (de) significa virtude, bondade,ética, moral, carácter. 拉 (la), na verdade, é um carácter que não me apraz. é comummente utilizado para designar o acto de puxar, embora tenha mais significados. talvez esteja na altura de me recriar. deixar a Sandra e as palavras da Sandra, torná-las as palavras da Sangdela. nas palavras do sangue dela. por fim, construir, não reconstruir, porque isso implicaria o renascimento de, um lar. a minha casa ardeu mas eu não sei se alguma vez ela existiu. ou se parou de arder.
porque no Brasil...
aproxima-se um aniversário e eu desejo
não regressar, não celebrar, a minha idade já me incomoda. sou um artefacto muito muito antigo? não diria antigo, diria mesmo velho sou um artefacto muito muito velho nunca quis ter filhos, abandonei a minha família e não voltei a dar notícias, perdi o contacto com os poucos amigos que me restavam, restar o que me resta agora são as plantas (sim, já consigo tomar conta de plantas) a minha avó costumava dizer que se falares com as plantas elas entendem e respondem e eu de vez em quando leio poemas para as plantas como fazia com ela no Jardim Botânico. elas vão ficando mais bonitas, mais vivas. resta-me o chá, que sobra sempre... sobrar há muitos anos deixei o meu amor sobrar agora não sei onde estão as sobras ou se ainda servem ou podem servir algum propósito sobra-me o tempo, restam-me as rugas resta-me queijo, sobram-me os lugares na mesa sobra-me a melancolia, restam-me as plantas (essas que, pelo menos, entendem.)
nome
I say fever
o rapaz a quem eu pago o almoço todos os dias (embora julgue que ele não fuma, não sei) veio pedir-me mortalhas numa noite destas, à saída da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, porque
"não és tu que fumas tabaco de enrolar?" foi uma questão interessante. hoje em dia há um número infindável de pessoas, e particularmente de estudantes, que fumam tabaco de enrolar. a rapariga que se encontrava comigo (e que está sempre comigo, na realidade) também o faz. é sempre um prazer saber que sou a tal. nem que seja a tal que fuma tabaco de enrolar. eu também costumava ter muitos tais, pelas razões mais absurdas. havia crianças pelo meu corpo inteiro a fugir com coisas atrás das costas, nos bolsos, dentro dos chapéus. escavavam, mais tarde, quando ninguém estava a ver, locais com as mãos para guardar todas as observações. há quanto tempo não cresceram (as crianças)
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