Chloe
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Wednesday, May 09, 2012
Chicago
"I've made it," she said, "I've come
through." she had on new boots, pants
and a white sweater. "I know what I
want now." she was from Chicago and
had settled in L.A.'s Fairfax district.


"you promised me champagne,"
she said.
"I was drunk when I phoned. how about
a beer?"
"no, pass me your joint."
she inhaled, let it out:
"this isn't very good stuff."
she handed it back.


"there's a difference," I said, "between
making it and simply becoming hard."


"you like my boots?"
"yes, very nice."
"listen, I've got to go. can I use
your bathroom?"
"sure."


when she came out she had on a
large lipstick mouth. I hadn't seen
one of those since I was a boy.
I kissed her in the doorway
feeling the lipstick rub off on my
lips.


"goodbye," she said.
"goodbye," I said.


she went up the walk toward her car.
I closed the door.


she knew what she wanted and it wasn't
me.
I know more women like that than any
other kind.


Charles Bukowski, in Love is a Dog from Hell

Posted at 11:51 am by Chloe
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Tuesday, May 08, 2012
também digo "mamas", mas não nos encontros.
uma vez
uma rapariga
expôs as minhas
mamas
baixando o
decote do meu
vestido, porque
eu não
tinha soutien.
as minhas mamas
mais tarde
ofereceram-se
às
mãos dela
perto do balcão
de um bar.
(desfoco)
e aos lábios
quando novamente
expostas
(as mamas)
na casa-de-banho.
recordo
as pessoas
aborrecidas,
batendo na porta
impacientemente
até
ao orgasmo
exposto
(isto é:
sonoro)
que me deu
com a língua,
enquanto
as mãos
nas mamas
às vezes
os lábios
alternando
entre um
lugar
e outro,
e os meus.
no fim,
escreveu o número
de telefone à volta
de um dos meus
mamilos
com uma
caneta
de tinta
permanente.

Posted at 06:40 pm by Chloe
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Monday, May 07, 2012
coisas perdidas I
escondo-me. escondo-me da capela fechada, mas onde a possa observar, de longe, nas sombras. perto da capela encontra-se para exposição um rosto de cera derretido e ouvem-se com esforço todas as preces inúteis que foram feitas noutras horas, e depois atiradas a fogueiras feitas em ruas proibidas. ainda não fui. ainda permaneço.
os dedos morrem demoradamente numa fotografia, e a boca, a mastigar teclas sem sabor, tenta cegar os becos onde nos deixaram, rodeados de vidro quebrado, para sabermos que a fuga nos custaria, pelo menos, parte da nossa pele. ouço músicas de outro tempo que não reconheço ter-me pertencido, e no bolso tenho guardadas as chaves de todos os olhos, excepto dos teus.
acendo velas que páram o tempo noutro sorriso. tão imperfeito. tão puxado a correntes. tão nada teu. quando o último fósforo se esgota, surges de repente, por trás da melancolia de uma espera.

evaporo num sonho de ti. renasço noutros lençóis.

Posted at 12:04 pm by Chloe
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Saturday, April 21, 2012
a renda
quero ir a um encontro,
para vestir um vestido
e pintar os olhos.
para mexer no cabelo
e passar os dedos perto dos
seios enquanto cruzo as pernas.
expirar o fumo dos cigarros
e os olhos
em direcção ao tecto.
para tocar na tua mão
e fingir que
por acidente.
para falar de interesses
e de aspirações.
para poder molhar os lábios
e os possas sentir arder.
para o meu corpo rejuvenescer
deste amor eterno que surge
e que termina com o orgasmo.
ou com a verdade.
na verdade
eu quero ir a um encontro
para poder
sobretudo
aveludar
a voz.





(este poema teve uma resposta aqui)

Posted at 12:23 pm by Chloe
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Monday, March 26, 2012
velas azuis a provocar incêndios
tu foste lentamente habitando o meu quarto
sem que eu me apercebesse que lá estavas
pensei que tivesses ido embora quando o teu
cheiro mudou, eu lembro-me que o teu cheiro mudou,
já não era o cheiro do meu amor, era o cheiro de outro
homem, e eu não queria que esse homem fizesse amor
comigo ou fosse comigo ao cinema, eu precisava de tomar
banho para retirar esse homem de mim, sabes, eu odeio
ter o cheiro de desconhecidos no corpo.
talvez o meu cheiro também tenha mudado, mas tu não te importaste.
eu pensei que o meu amor tinha morrido com o teu cheiro,
e o meu quarto foi perdendo espaço, os móveis cada vez mais
próximos uns dos outros, a cama, mal dando para mim, tu,
a prender-me os movimentos, mas ainda cabendo, cabendo
para ti e para todos os outros.
eu amei-te quando te queria amar, e quando não queria
o teu cheiro mudou, as tuas mãos pareciam outras,
os gritos, durante a noite, porque tu, porque eu,
os amantes, porque eu, porque tu, porque o amor,
a dizer-me que eu posso
querer.
agora que o meu quarto tem espaço, não cabe lá mais ninguém,
por muito que eu queira,
sabes que eu sempre amei porque quis,
e eu ouço-te respirar, perto do peito, sem nunca te conseguir ver.
às vezes acendo um cigarro e quase vejo os contornos do teu rosto.
sempre que te tento abraçar, o fumo desvanece, e eu volto a encostar-me
à parede, a gritar o teu nome tão furiosamente, que toda a gente, se visse,
diria que
algures na minha cabeça, eu estou doente.

Posted at 04:33 pm by Chloe
Likes (2)  

 
Thursday, March 01, 2012
恋人
a saudade é
eu querer que estivesses
ausente
só por um instante.

Posted at 04:54 pm by Chloe
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Monday, November 14, 2011
423
tenho tido sonhos recorrentes acerca da realidade do regresso. e muito medo de adormecer. é como se por agora é que o meu corpo estivesse adormecido, na minha cama em Santarém, embrulhado em braços até ao nariz, e eu estivesse à espera que ele morresse, para poder ocupar outra vida no regresso. como se isso pudesse acontecer.

Posted at 07:12 pm by Chloe
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Tuesday, August 23, 2011
caixinha prateada

O meu mundo gira dentro de uma caixinha prateada...nessa caixinha estão os sonhos, as promessas, os sentimentos, a esperança e as pessoas. Mas as pessoas não são só pessoas, são os amigos de sempre e para sempre, aqueles em que não temos frio quando estamos em sua companhia. São aqueles amigos que travam a onda de lama da falta de amor do mundo, são aqueles que nos dão esperança da realidade de amar o outro. Quando estou com eles sinto-me em casa, sinto-me dentro do ventre da mãe protectora, que ama incondicionalmente seu filho, sem motivo ou credo. É por isso que peço aos deuses do céu, do mar e da terra que não afastem de mim quem eu amo…tenho muitos sonhos na vida, mas dos mais importantes é poder ser velhinha e estar junto das minhas libelinhas, minhas acompanhantes e amigas de toda uma vida. Aqui fumaremos cigarros tossindo um catarro já antigo e beberemos chá de maçã e canela ou então moscatel de Setúbal. Sentadas as três moças velhas, nos cadeirões grandes que balançam, tapadas com mantas que cobrem as pernas cansadas. Aqui iremos rir em conversas de tempos de liceu. Aí sim a minha caixinha prateada terá sentido, pois esse momento significará que amei e fui amada….


Posted at 05:40 am by mancha
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Monday, June 27, 2011
我想爱
a minha casa ardeu, recentemente. sem óbitos, porque tudo aconteceu
no momento em que fomos passear, após o jantar. a noite estava quente.
no entanto, nós não estávamos.
a cozinha foi a única divisão que sobreviveu, e mantivemo-la para que pudéssemos realizar espectáculos, performances. lembro-me de numa noite ter sido uma recriação da lady in the radiator. não me recordo de muito mais. sei que não chorei.
a partir de 25 de agosto deixarei o meu nome para trás, e passarei a chamar-me, obrigatoriamente, sangdela (桑德拉).
桑 (sang) significa amoreira. tenho flores que se comparam a estrelas, e frutos de sangue apaixonado.
德 (de) significa virtude, bondade,ética, moral, carácter.
拉 (la), na verdade, é um carácter que não me apraz. é comummente utilizado para designar o acto de puxar, embora tenha mais significados.

talvez esteja na altura de me recriar. deixar a Sandra e as palavras da Sandra, torná-las as palavras da Sangdela. nas palavras do sangue dela.
por fim, construir, não reconstruir, porque isso implicaria o renascimento de, um lar.
a minha casa ardeu mas eu não sei se alguma vez ela existiu. ou se parou de arder.

Posted at 03:03 am by Chloe
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Sunday, April 10, 2011
porque no Brasil...
aproxima-se um aniversário e eu desejo
não regressar, não celebrar, a minha idade
já me incomoda. sou um artefacto muito muito
antigo?
não diria antigo, diria mesmo velho
sou um artefacto muito muito velho
nunca quis ter filhos, abandonei a
minha família e não voltei a dar notícias,
perdi o contacto com os poucos amigos que
me restavam,
restar
o que me resta agora são as plantas
(sim, já consigo
tomar conta de plantas)
a minha avó costumava dizer que
se falares com as plantas elas entendem
e respondem
e eu de vez em quando leio poemas para as plantas
como fazia com ela no Jardim Botânico.
elas vão ficando mais bonitas, mais vivas.
resta-me o chá, que sobra sempre...
sobrar
há muitos anos deixei o meu amor sobrar
agora não sei onde estão as sobras
ou se ainda servem ou podem servir
algum propósito
sobra-me o tempo, restam-me as rugas
resta-me queijo, sobram-me os lugares na mesa
sobra-me a melancolia, restam-me as plantas
(essas que, pelo menos, entendem.)

Posted at 10:42 pm by Chloe
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