Entry: coisas perdidas I Monday, May 07, 2012



escondo-me. escondo-me da capela fechada, mas onde a possa observar, de longe, nas sombras. perto da capela encontra-se para exposição um rosto de cera derretido e ouvem-se com esforço todas as preces inúteis que foram feitas noutras horas, e depois atiradas a fogueiras feitas em ruas proibidas. ainda não fui. ainda permaneço.
os dedos morrem demoradamente numa fotografia, e a boca, a mastigar teclas sem sabor, tenta cegar os becos onde nos deixaram, rodeados de vidro quebrado, para sabermos que a fuga nos custaria, pelo menos, parte da nossa pele. ouço músicas de outro tempo que não reconheço ter-me pertencido, e no bolso tenho guardadas as chaves de todos os olhos, excepto dos teus.
acendo velas que páram o tempo noutro sorriso. tão imperfeito. tão puxado a correntes. tão nada teu. quando o último fósforo se esgota, surges de repente, por trás da melancolia de uma espera.

evaporo num sonho de ti. renasço noutros lençóis.

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